sábado, 30 de junho de 2012

Our time is running out





Quando a gente vive uma determinada situação, parece que toda e qualquer letra de música corrobora pra contar a nossa história, e fala sobre o que vai dentro da nossa cabeça. Gosto de Muse, mas gosto bem mais de algumas outras bandas, mas algumas canções deles me pegam pela veia, e me deixam ouvindo no repeat.


Bury it,
I won't let you bury it,
I won't let you smother it,
I won't let you murder it.

Our time is running out,
Our time is running out,
You can't push it underground,
You can't stop it screaming out.

How did it come to this?

You will suck the life out of me.


Enjoy. Letra completa aqui.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nega, poeta e lar

Eu nunca conheci uma pessoa com um desabrochar tão extremo e intenso, e ao mesmo tempo, tão conectada às próprias raízes que era impossível separá-la da sua terra mãe, com todas as ruas de pedra e baixios, e neblina de congelar os ossos e a galinhada feita no quintal pela madrinha. Ela, Renata, a minha poeta. 

Me dou ao desfrute e à falsa modéstia, e sem rodeio, eu digo com a força do peito: eu tenho uma poeta que é minha. Porque ela também é meu lar, sempre nas horas críticas, em que eu preciso desesperadamente fugir pra algum lugar, e é sempre pra lá que eu vou, pra sacada, pra varanda, pro sofá-cama ouvir o sacolejo da Mariazinha (o cão), pra qualquer lugar onde minha Poeta, Barda e Moira esteja. E ela me dá abraço, café quente, cobertor, ouvido e risada.

Deixando as palavras bonitas de lado, eu lembro de quando conheci Renata, a menina tímida do interior que estava cursando jornalismo porque seu curso dos sonhos havia sido cancelado da forma mais indignante de todas. Seu sonho havia sido fragmentado, e ela aqui, perdida, olhando os cantos com estranheza. Alguma coisa bem no estômago me fez traçar uma linha reta até ela e me apresentar. Boa noite, eu sou a Lyra. Me dá a mão, e eu quero te conhecer, e se a gente se der bem, quero te trazer pro meu mundo. 

Mas foi o contrário: foi ela que me dragou, que virou refúgio, que deu a mão. A menina cheia de estigmas e medos deu lugar à moça que tinha nas palavras um universo extenso e brilhante de supernovas e constelações. Nas piores crises que tive na minha própria vida, ela estava lá. Eu estava lá. Pra ela me trazer pessoas essenciais e lindas, que eu vejo brilhando perto de mim dirigindo o fusca verde-abacate, que até me dá certa vergonha do meu espírito quebrado e opaco. Pra me presentear com chuva na cabeça, pra me fazer acreditar que o mundo é bonito quando eu sei, no meu âmago, que ele não é. Pra gargalhar da minha cara quando eu quase caio no meio da estrada. Pra me fazer rir e sentir acolhida perto da Vózinha, mesmo que ela não seja minha avó de verdade. 

Ela nunca pediu nada em troca. Eu nunca pedi nada em troca. Assim que funciona, há tempos. A saudade da estrada aperta, e eu simplesmente pego a mochila e volto pra um dos meus lares. É onde essas meninas estão. É onde a Rê está. Minha Rê e seu cão belzebu. 

Pode se abater, deixar o corpo doer, que eu vou estar aqui, menina, pra aparar você na queda. Porque vou te dar o que eu tenho de melhor, e você vai me presentear com a sua alma mais profunda, e vamos trocar o que nós duas temos de mais precioso: as palavras.

Te amo, nega


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Dentro do (meu) sono

No ranger dos dentes e estalar da nuca, eu durmo de olhos abertos. Olhe pro meu rosto dormindo e você verá o risco branco da córnea, porque eu pareço em transe. Mas meu sono é profundo e perturbado, sempre foi e sempre será, a não ser que eu faça o que o médico mandou e comece a tomar antidepressivos, porque distúrbio de sono é comigo mesmo. 

Na plena adolescência, já tinha problemas pra dormir, e um dia senti um pavor imenso e uma dor excruciante dentro do sono. Fora dele gritava e não conseguia acordar de fato. Crises como essa se seguiram, às vezes três ou quatro vezes por semana, e então outro diagnóstico: você faz parte dos 5% que sofrem de terror noturno. Antidepressivo acompanha seu milkshake, senhora?

Não, nem pensar. 

Em 2011 tive algumas crises, a maioria delas no final do ano. Não existem muitas causas comprovadas pra esses distúrbios de ranger os dentes e acordar volta e meia gritando, mas eu sei que stress emocional explica muita coisa, hoje em dia. Eu tive essas crises porque me encontrava sob grande tensão, dormia mal, me alimentava mal. Minha mãe irrompeu no meu quarto pra me acudir e me acordar, me fazer sair do estupor de pânico que eu me encontrava, chorando, berrando, me debatendo, mais de uma vez. E depois demora pro coração parar de bater desembestado, o corpo parar de tremer e você entender o que seu cérebro não consegue, que foi só um pesadelo, um descontrole, que nada do que você viu no sono é real, e que aquele medo causticante todo não existe.

Esse ano, tive uma leve crise durante o carnaval, onde dormindo balbuciei palavras e frases pouco compreensíveis e acordei um pouco assustada, e ontem, quando acordei sozinha, com frio e tremendo, e com um medo extremo de alguma coisa que eu tento não pensar. Gritei até a garganta ficar rouca, e só despertei de verdade quando bati o braço na madeira da cama e senti a dor completamente real. Ela me acordou. 

É por isso que, depois de oito meses solteira, não pode ser qualquer um a dormir aqui, do meu lado. Vai ter que ser alguém que possa ouvir meus gritos e calmamente me segurar com o corpo, com força, até eu emergir desse terror completamente insano, aos prantos, respirando forte e com o coração saltando pela garganta, e depois me console até eu parar de chorar e voltar a dormir, completamente acalmada. 

Eu não sei se essa pessoa existe.  Esse alguém, se eu encontrar um dia, vai ter que simplesmente mergulhar e me trazer de volta do fundo da água turva e ácida do pesadelo, puxada pela mão pra que eu não me perca. Porque eu me perco sempre. 

sábado, 16 de junho de 2012

Shake me down

E quando eu fico triste da forma mais profunda, eu me lembro do que senti no dia 07 de abril de 2012.

O sol bem no topo da cabeça, ardendo sem dó, e a música muito alta. Eu ali, perto do palco, no show do Cage em São Paulo e uma felicidade avassaladora me invadindo como uma onda. E se me recordo com clareza, não havia ninguém no pensamento naquele momento. Não havia ninguém além de mim mesma e nenhum sentimento sobre qualquer pessoa, exceto que, 'olha onde eu estou, e o quanto eu sinto transbordar dentro de mim', e eu não conseguia deixar de pensar que podem me quebrar mil vezes que eu volto em todas.

E eu olhava ao redor e dançava e ria e sorria sozinha e transbordava, e era eu e a grama e o palco e o universo, era as mãos levantadas em todas as músicas e o céu cheio de nuvens, o ritmo e o frenesi. E olhava pros meus amigos gargalhando e pulando, e sorria para as pessoas ao redor, e poucas não sorriram de volta.

Naquele momento, eu sentia que podia fazer qualquer coisa na minha vida. E eu sei que posso. E eu sei que não quero menos do que aquilo que transborda e me faz sentir viva e queimando. Pelo menos essa certeza eu tenho. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

O depois dos discos


Tenho o costume de que se gosto de uma única música de um disco, baixo ele todo - ou a discografia toda daquele determinado artista - e guardo ali, na playlist, sem dar muita bola de início. Tem de tudo nesse set: toda a discografia do Queens of the Stone Age e o que eu chamo de 'adjacentes' (projetos dos integrantes como a Desert Sessions e Them Crooked Vultures, e também o Eleven); dois discos do The Dead Weather; alguns albuns do Nação Zumbi, principalmente os dois últimos, meus favoritos; tem trilha de Kill Bill vol. 1 e 2 e My Blueberry Nights; tem Nirvana, tem Chico Buarquetem Black Drawing Chalks, The Black Keys, Kyuss, Mars Volta, Pixies, Faith No More, Melissa Auf der Maur e mais um montão de coisas. 

Quem me ensinou a gostar de um monte dessas bandas foi uma das pessoas mais queridas da face da terra, que é a Sabrina, meu mans que voltou pra Niterói há uns três anos. Ela me passou um pendrive cheio de discos de bandas que ela amava e eu incorporei tudo na minha playlist. E tem muita coisa que eu ouvi só recentemente. 

A primeira coisa que me deixou apaixonada da playlist da Sah foi Massive Attack. Passei um ano inteiro ouvindo 'Mezzanine', o disco de 1998, trip hop "sombrio". Durante 2010 inteiro eu me prendi a esse único álbum, revi os clipes um monte de vezes, pensei a respeito das letras e elas faziam muito sentido. Mas o que mais me lembrava a Sah era Interpol, e os dois discos que ela me passou deles. A gente costumava, em 2009, sentar no apartamento dela, naqueles sofás azuis toscos da Casas Bahia, fumar um cigarro, e ouvir todos esses discos. Mas durante muito tempo ouvi duas músicas e deixei pra lá. 

Não fazia sentido. Músicas bonitas, e só. Me lembrava a minha amiga longe, era meio dolorido, porque sinto muita saudade da amizade dela e do que ela é pra mim. Mas passava batido. 

No final de 2011, Massive Attack me trouxe de volta, mas um outro álbum, mais recente, o 'Heligoland' (2003). O ano virou, e entrei de cabeça no 'Beat the devil's tattoo' do Black Rebel Motorcycle Club, que representava outra fase. Menos triste, menos densa, menos sombria. Mais intensa e cheia de vontade e certa selvageria. Eu era a própria "Aya" (faixa nº 10), e ouvi cada música uma centena de vezes. As pessoas me mandavam músicas e discos e artistas e eu simplesmente ouvia uma vez e depois voltava pro mesmo disco. Looping inerente à minha personalidade. 

As coisas mudaram bruscamente, e esse disco já não fazia sentido. Nenhum deles fazia, todos apenas soavam e nada me perfurava, me prendendo às letras e melodias. Fiquei nesse limbo por algum tempo. 

Então me lembrei da playlist da Sah, e recorri à ela sem pensar duas vezes. O legado que ela me deixou com todas aquelas canções. E os discos do Interpol estavam lá, me esperando, os favoritos dela: "Antics" e "Turn on the bright lights". E agora fazia tanto, mas tanto sentido, que senti mais de um arrepio no corpo enquanto o som alto no fone de ouvido predominava, as palavras me tomavam e eu começava a jornada de descobrir as camadas do som, as texturas dos arranjos e os detalhes do enredo sonoro. 

Ainda estou presa ao Interpol, e ele vai marcar uma fase que vai passar. E virão outros discos que só farão sentido depois, muito tempo depois. E outros 'depois' também virão. 

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Pedaços #2: Dos medos e delírios, ao sr. Hunter S. Thompson

Eu admito que fugi de você, Hunter. Por tempo demais.

Me perdoa, mas é que eu fiquei com muito medo de desejar tão ardentemente viver o jornalismo da forma que você viveu, a ponto de ver minha vida ser completamente frustrada com a impossibilidade de assim simplesmente ser, porque as contas se acumulam, a velocidade do online desencadeia o caos da preguiça e da falta de confiança, de cuidado e de proximidade. É tudo tão envolto numa grossa camada de descrença que não se fazem mais reportagens diferentes, e a distância toma conta do jornalista. Ele é automático, já faz tempo. É assim que a gente sobrevive hoje. Eu queria muito viver só de escrever, e ficar um ano entre uma horda de motoqueiros lendários, como você fez em 'Hells Angels'. Ou queria sair por aí numa trip completamente insana da qual eu me lembraria por ilustrações do Steadman, como em 'Medo e Delírio em Las Vegas'.

Logo eu que sou só uma garota aleatória, de 23 anos, formada há pouco na escola e não na rua. Enquanto eu engatinhava, há décadas você havia estado entre os estandartes alados da avalanche de motos brilhantes.

E devo dizer, que concluindo a leitura desse quase estudo antropológico sobre motoqueiros foras da lei em 1960, que me senti nostálgica. Não pela obra em si, mas porque você estava nela. Você explicou várias vezes que depois de um tempo, 'não sabia se era você que pesquisava sobre eles, ou se estava sendo por eles lentamente absorvido'. E não existia medo de contar seus próprios delírios no enredo, e, em momento nenhum, deixou de ser uma reportagem. Você saía do estado de imparcialidade amarelada e quebradiça, e nos trazia uma nova visão de mundo. A humana. A que erra e sangra. Que treme, e principalmente, participa.

Obrigado, sr. Thompson. Pelos medos, pelos delírios, pela carona na garupa da moto de um hell angel, pela grande caçada aos tubarões, pelas viagens de LSD, pelas noites em claro. Obrigado por me fazer querer dar uma volta no lado selvagem, por ter criado o gonzo e o gozo nas letras.

E principalmente: obrigado por romper todas as barreiras.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Semana louca e Festa Junina!

Essa semana foi uma insanidade pra essa jornalista que vos escreve. Festa Junina da família sendo preparada, casa sendo inteiramente pintada. Tudo isso na rotina normal, de sair de casa às 8h da manhã e chegar às onze da noite. Sono atrasado, mil projetos.

Todo mundo acampado nos cômodos que iam ficando prontos. Achei bacana poder pintar meu quarto, e escolhi uma cor que já vi em alguns blogs de decoração: berinjela profundo, da suvinil. Combinou com os móveis que tenho, gostei muito. Ainda tá levemente bagunçado, mas já arrumei um cantinho com livros, dvds, meus gatinhos que ganhei da Sah e meu quadro de arte noveau que a irmã pintou. Ainda falta iluminação, quadros de parede, prateleiras. Mas em breve farei a feira na Etna! (ALOKA da decoração). Pintura pronta, faxina super tensa. Dormindo todo dia duas da matina, e a gripe ligeiramente agravada pela poeira. Então começam os preparativos pra festinha junina. 

Minha mãe é apaixonada pela chacrinha dela, chamada João de Barro. A cada dois anos, reúne parentes e amigos no Arraiá, e esse ano foi super bacana. Sábado prendendo bandeirinha, arrumando mesa, mexendo com doce. Ainda fotografei todo mundo! mas valeu muito a pena. Todo mundo ficou muito surpreso com o resultado. 

Teve maçã do amor, doce de abóbora, primaiada, churrasco, arroz carreteiro, quadrilha, bonequinhos de espantalho, faixa comemorativa, quentão, milho verde, e muito mais coisa. Amigos, pessoas queridas. Luzes, borboletas no entardecer, música engraçada, fogueira, mesas enfeitadas, bandeirolas de jornal. Foi tudo muito legal mesmo. Arraial daqueles. Muitas fotos ficaram bacanas, e foi uma delícia ver todo mundo tão feliz. 




Os anfitriões e os caipiras de mentira.

Enfeite de mesa que fez sucesso!

Fotógrafa que posa pra foto meio contrariada!


E em 2014 tem mais!
(Mais fotos no meu flickr!)