sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Dos diários e de um outro tempo



Quem eu era, há alguns anos. A menina que eu fui quando adolescente. Os diários que eu sempre escrevi. Tive um milhão de agendas, cadernos, livrinhos de desabafo. Eu sempre gostei de escrever pra desabafar. 

Desses milhares de diários, alguns cadernos ainda permanecem, que eu escrevi na adolescência. Eu sai da casa dos meus pais e não sei porque senti que precisava deles na minha casa nova. Não folheei nenhum durante a mudança. 

Todos os escritos são reticências de ser adolescente e ter um monstrinho de dúvidas e inquietações dentro de você. E como tudo isso se conecta à mim hoje, quando minha única concessão é escrever nesse blog, raramente, assumo, menos do que deveria. 

Desses cadernos e linhas e folhas de papel, o que sobrou de mim. Ontem a noite precisei abri-los e foi como abrir uma cápsula do tempo, o que na verdade eles são. E perceber que o ensejo não mudou. A música ainda é a mesma. Os desejos de adolescente eu tranquei numa caixa de chumbo aqui dentro. Mas eu não posso continuar mais negando que eles existem e eles já estavam lá naquela época. 

Eu já imaginei criar uma fogueira enorme com esses cadernos e queimar tudo, os canhotos de cinema, os desenhos, os recadinhos de amor e as letras de música. Já imaginei ver aquilo ardendo, queimando, meu passado e minha definição. Mas desisti. Ás vezes a gente precisa se encontrar um pouco. Aquela menina risonha e que funcionava à mil, eu não consigo mais acreditar que não sobrou nada mais dela. A gente não pode aceitar que se perdeu entre os numerais 15 e 30. Nossa idade. Nosso crescimento.

Março, esse mês que se aproxima, quando eu completo, no dia 31, meus 26 anos, sempre me faz refletir dessa forma. Sempre, como aqui. Fuçando nos diários como se fossem tábua de salvação, encontrei a data onde eu comecei a odiar aniversários, em 2004, a contabilizar o caos e a amargura não de ficar mais velha, e sim de me sentir mais frustrada, quando nada que eu imaginei aconteceu. É um sentimento ruim por tempo demais. 

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Março chegou. Sempre que eu lembro do mesmo mês no ano passado, sinto um aperto no peito. Eu tinha tanta certeza sobre tantas coisas. Sobre o que eu era, o que eu queria e onde iria estar. Minhas certezas eram de ferro. E eis me aqui, vivendo outra vida, que em nenhum momento foi planejada por mim. Março me faz olhar pra trás, pra todos os dias 31 que já passei e lembrar com muita clareza desses planos que nunca floresceram. 
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Eu disse em março de 2013. Não mais

Esse ano, prometo, vou deixar os diários e o mês de março em paz. E só assim vou sorrir com 26. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

4 Dicas práticas para usar o Feng Shui na decoração



Na hora de comprar móveis para a casa ou escritório o Feng Shui pode servir como uma ferramenta útil para harmonizar os ambientes, tanto em um sentido decorativo quanto no sentido energético. Por isso reuni neste artigo 4 dicas práticas para usar o Feng Shui na decoração. Confira:

A entrada da sua casa vale mais do que você imagina

A porta de entrada é um dos pontos principais de atenção para o Feng Shui, pois é por ela que a maior parte da energia (aqui chamada de Chi) entra dentro do ambiente. Sua porta da frente precisa ser agradável e convidativa tanto para seus amigos e clientes quanto para as energias positivas e novas oportunidades de negócios.

Garanta que nada atrapalhe a visão e o caminho de entrada, tanto por dentro quanto por fora. Para o Feng Shui, a facilidade de entrada e saída das pessoas também vai facilitar o fluxo das energias boas na sua casa ou escritório.

Cores adicionam diversos significados

Decoradores e arquitetos experientes em Feng Shui utilizam o “Mapa Baguá” para definir desde a posição de móveis para sala, até a cores e texturas para decoração. Este mapa define as influências das cores e energias que cada objetivo têm dentro da casa.

Para identificar as posições e outros detalhes dos móveis na decoração é preciso aplicar o Baguá partindo da planta baixa da casa, considerando a porta de entrada. Para mais informações sobre o Mapa Baguá assista este vídeo no Youtube.

Dispositivos eletrônicos não devem estar presentes em lugares de descanso

Tanto em um quarto quanto em uma sala de descanso dentro do escritório, os dispositivos eletrônicos devem ser banidos ou evitados ao máximo. Segundo o Feng Shui eles sugam suas energias e te impedem de ter um bom descanso no sono ou em uma pausa para um café.

Mas se você precisa manter eletrônicos em locais de descanso, tente guarda-los, sempre desligados durante a noite.

Tenha algumas plantas
No Feng Shui, as plantas representam a natureza e trazem felicidade e energias de curativas para qualquer ambiente. Por isso, mantenha sempre plantas saudáveis e coloridas para ter sempre brilho e vitalidade na sua casa ou escritório. E trate de cuidar bem delas, pois plantas mal cuidadas e mortas podem gerar um efeito contrario, pois acumulam excessivamente a energia Yin.

Espero que tenham captado as pequenas essenciais do Feng Shui para a decoração. Este é um grande universo que pode ser explorado para deixar a sua casa mais bonita, aconchegante e aberta para receber boas energias. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

"Rock de Menina"

De vez em quando eu desapareço do blog porque minha escrita trava, como eu já expliquei pra vocês aqui. É uma tarefa muito árdua pra mim, às vezes, escrever, porque meu ganha pão é esse e o desafio é não me perder nesse emaranhado de letras. Eu passo o dia inteiro escrevendo. E quando quero escrever, me faltam palavras. Mas não desistam de mim. 

Hoje fiz uma descoberta musical daquelas genuínas e por acaso. Me perguntaram se eu conhecia Far from Alaska. Coloquei no Youtube e senti uma formigação dentro do estômago, maravilhosa, como há muito tempo não acontecia. 

Ouvi essa música. Um vórtice de pensamentos e lembranças aterrissou sobre a minha cabeça. Meu deus. 

Que força, gente. Que força. 

Procurei sobre a banda e descobri que eles são de Natal (RN), brasileiros. E fui ouvindo a música mais e mais e lembrando de como era ter banda, das bandas de metal que eu tive. Deixando a música FODA de lado, me identifiquei com a moça vocalista. Uma vez reclamei de ter dificuldades em encontrar bandas de stoner rock com vocais femininas, e taí uma delas pra me tirar o chão. 

Emily, não te conheço, mas já te amo. Sua voz não só me impressionou como me senti sob os seus ossos nesse vídeo. Uma garota de camiseta, jeans, sem maquiagem, gritando letras fortes e irônicas. Sem ser objeto, sem ser necessariamente magra, loira, cantando dilemas de amor e falando de namorado nas músicas, porque ela fala sobre o que ela quiser, usando a ironia que quiser e os palavrões e o idioma que ela quiser. Porque é isso que a maioria dos roqueiros de plantão acham que mulher tem que fazer no rock: cantar letrinha babaca sobre algum macho, provavelmente com uma voz fina e infantil. Porque mulher que canta grosso (como eu cantava), não pode ser levada à sério. Wait, shut! 

Quando eu tinha  16 anos, tinha uma banda que tocava som pesado e fazia cover de bandas de metal femininas gringas. A gente foi tocar em algum buraco da cidade e lembro que eu usava um shorts largo, uma camisa preta, bota e aquele cabelo batendo nas costas. Eu tocava uma guitarra preta flying v, e aquele era meu momento de gritar e berrar em gutural. E na banda tinham outras duas meninas. E lembro de estar encostada em um pilar esperando nossa vez de de tocar e ouvi um diálogo: "aquela que é a vocalista? isso aqui não é show da Sandy não", disse o ~headbanger~. 

Lembro que subi no palco e abri o maior gutural que consegui. Virei pra ele, entre uma segurada de palheta e outra, e mostrei o dedo do meio. 

Foda-se você, seu machista. O choro é livre porque as mulheres vão continuar nadando contra a maré social desse mundo misógino. Se conforma. Aqui vai meu gutural pra você. 

E Far From Alaska me trouxe toda essa sensação de volta. Um dedo do meio entre as seis cordas bem grande pro machismo. 

We rock, girls. 

She says, "I gotta tell you my story, man
The right story, man"
(Because yours is a lie)
Wait, shut, I gotta tell you my story, man
The whole story, man